Poevida.

Sempre gostou de poesia.  Cada palavra era pedaço de um verso mágico que se formava e logo corria em direção à sua alma. Para ela não importava a forma, de haicais a sonetos e decassilábicos. Sua alma poderia ser definida com pouco mais de uma dúzia de poemas. Era uma mistura poética de Leminski, Bukowski, Álvares de Azevedo, Drummond e tantos outros.  Talvez nenhum desses a entenderia, mas suas poesias, ah, essas sim, liam cada parte do seu ser. Gostava de poesia. Quando criança, alguém lhe perguntou : “o que quer ser quando crescer?”. Parou. Pensou. Com o livrinho de poesias infantis em mãos, respondeu com um sorriso no olhar: Quero escrever poesia. Poetisa.  E é claro que riram da pobre criança.

Sempre gostou de poesia. Paradoxalmente, nunca conseguiu fazer poesia. Talvez a poesia fosse pra ela, mas ela não fosse pra poesia. A vida tem dessas coisas. Nem tudo é correspondido, nem mesmo o amor pela poesia.  Talvez seu eu-lírico não fosse tão entregue aos versos como gostaria, ou porque era tão entregue às palavras que não se conformava em ficar nos versos.  Toda poesia que tentava fazer, virava prosa. Não conseguia fazer poemas decassilábicos, sonetos e muito menos haicais. Mas conseguia vivê-los.  Sua vida era uma poesia contada em forma de prosa.