“ Muitos homens afirmam quase que com boa fé que as mulheres
são iguais aos homens e nada têm a reivindicar, e ao mesmo tempo que as
mulheres nunca poderão ser iguais aos homens e suas reivindicações são vãs. É
que é difícil para o homem medir a extrema importância de discriminações
sociais que parecem insignificantes de fora e cujas repercussões morais e
intelectuais são tão profundas na mulher que podem parecer ter suas raízes numa
natureza original. Mesmo o homem mais simpático à mulher nunca lhe conhece bem
a situação concreta.”
( Simone de Beauvoir)
A última gafe do deputado
Bolsonaro dizendo que “ não estupraria”
Maria do Rosário, por ela “ não merecer”, reacende a discussão de
mulheres merecerem ou não serem estupradas. A pesquisa do IPEA feita no início
do ano demonstrou que segundo grande parte
dos brasileiros, merecem. Essa mesma parte da população, provavelmente, é
também parte do eleitorado do sr. Deputado Jair Bolsonaro. E,
infelizmente, demonstra que suas opiniões machistas, homofóbicas e
fundamentalistas, representam grande parte da população brasileira.
Talvez, em resposta ao sr. Deputado, passou pelo senado o PL que tipifica o
feminicidio. Ora, pra quê tudo isso?
Essas feminazis tão querendo demais! Isso é privilégio. Seria, então, um privilégio morrer por ser
mulher? E qual seria desvantagem para os homens? a desvantagem de não
poder mais matar uma mulher por ser mulher?.
Mulheres morrem todos os dias por
serem mulheres. Não apenas no sentido literal da palavra, mas morrem todas as
vezes que ganham menos que um homem exercendo a mesma função no trabalho; morrem quando não são escolhidas para um emprego, mesmo tendo o mesmo nível de curriculum do homem escolhido, por querer ter
filhos; morrem todos os dias no ônibus/metrô lotado, quando se aproveitam dessa situação para abusarem de
seus corpos; morrem todos os dias quando são julgadas por quererem exercer sua
liberdade sexual; morrem todos os dias quando andam nas ruas e recebem buzinas
e cantadas constrangedoras como se tivessem que receber aquilo como um elogio;
morrem todos os dias quando não são respeitadas em um local por serem mulheres; morrem todos os dias quando dizem que elas não sabem dirigir, por serem
mulheres; morrem todos os dias quando dizem que lugar de mulher é na cozinha;
morrem todos os dias quando condenadas pelo próprio estupro; morrem todos os
dias em relacionamentos abusivos; morrem quando dizem que foi merecido estupro
por estar usando uma roupa curta, por estar bêbada, por estarem provocando um
estuprador;
O machismo mata. Mata uma, duas, milhares de mulheres por dia. E continuará matando. A diferença é que talvez, agora, matar literalmente possa ter um tipo penal específico.
O machismo mata. Mata uma, duas, milhares de mulheres por dia. E continuará matando. A diferença é que talvez, agora, matar literalmente possa ter um tipo penal específico.
by Ana Carolina de Sousa
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014