we've gotta make it rain somehow



Por : meu eu-lírico
      Naquela noite, a chuva, diferentemente dos dias que se sucederam, caía fina sobre os telhados das casas da rua . Todavia, as pequenas poças d’água foram o suficiente para que ela escorrega-se. Estava esgotada, por pouco não conseguira se levantar... esforçou-se, levantou-se e correu. Corria, sem rumo. Sua casa havia ficado há alguns quilômetros. Ela só queria correr, correr pra longe enquanto as lembranças tomavam conta da sua memória e suas lágrimas acompanhavam cada pingo da fina chuva que caía. 
   O que havia acontecido com todos aqueles sonhos? Com todo aquele sol que costumava esquentar suas manhãs?. Parecia que corria há dias e não chegava a nenhum lugar.A chuva ,mesmo que fina, insistia, caindo em seu rosto, agora cheio de preocupações.De repente tudo que lhe parecia tão claro, se escureceu. A noite fria que tomava conta da cidade, tomava tudo ao seu redor. Ela sabia que havia um lugar para procurar as respostas para toda aquela situação, mas sentia-se perdida. Todos aqueles seus amigos ,aqueles que “sempre estavam lá para ela” desapareciam entre as nuvens carregadas , todos os seus sonhos foram entregues as enxurradas, e todo o seu amor próprio caia em sua face assim como os pingos da chuva daquela noite.
          Deparou-se com um beco sem saída. A chuva fina dava lugar a enormes pingos associados a trovões. Encostou-se na parede, como um rato encurralado pela vida, descia lentamente até assentar-se no chão. A chuva aumentara, assim como seus soluços. Entre raios e trovões ,uma desordem permanecia em seus pensamentos. Ela não podia mais correr, teria que enfrentar toda aquela situação, afinal, não poderia simplesmente – embora quisesse – continuar correndo e desmoronando com aquela chuva para sempre. Suas forças estavam esgotadas ,uma onda de melancolia a arrastava para baixo. Respirou fundo. Olhou para o céu. As nuvens não lhe pareciam mais tão assustadoras. Respirou fundo. Era preciso coragem. Respirou fundo, mais uma vez. Levantou-se. A chuva parava a medida em que ela se levantava e andava de volta para onde tudo começou.
       Não corria, precisava ir devagar. O céu se limpava ,devagar. E o sol amanhecia outra vez, naquela cidade. Ela podia encarar o céu outra vez. Lentamente tudo voltava ao normal. Era preciso paciência – uma virtude de poucos, que com certeza ela não possuía- para lidar com toda as situações causadas por noites como aquelas. Com o tempo, aprendia que não fora uma tempestade ,e sim apenas uma chuva necessária para que as colheitas pudessem dar frutos. Mesmo não entendendo, sabia que tudo tinha um propósito. O mesmo céu que trouxe a noite fria, trazia, enfim, o dia ensolarado.




  • Achei esse o seu melhor texto (que eu me lembre). No inicio pensei como algo acontecendo literalmente, mas depois passei interpretar como sendo tudo uma forma de expressar em palavras coisas que sentimos, ou seja, q tudo ali é sentimento. Enfim, dá pra refletir bastante com o texto, e o melhor é que o final é bem otimista :) "O mesmo céu que trouxe a noite fria, trazia, enfim, o dia ensolarado." E concordo plenamente, pq as oportunidades, os relacionamentos...a vida, mesmo que possa trazer "noites frias" tbm pode trazer um "dia ensolarado". Cabe a nós enfrentar da melhor maneira todos os climas.

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