Sobre corações partidos.

Segue um trecho do livro Oscar Wilde para inquietos, de Allan Percy :


O mais terrível não é termos
nosso
coração partido (pois corações
foram
feitos para ser partidos), mas
transformar
nossos corações em pedra.

 OSCAR WILDE AMOU DE CORPO E ALMA porque sabia que não há nada que se compare a duas pessoas que buscam se conhecer, dois seres que saem à procura do encontro, mesmo que, com isso, se exponham a riscos consideráveis.
 Como disse mais de uma vez, há beleza nesse sofrimento. É também o que afirmava o poeta, ensaísta e filólogo italiano Giacomo Leopardi em um de seus poemas mais conhecidos:
Os segredos do coração humano
são às vezes tão profundos
que não se podem penetrar
facilmente;
por essa razão,
os melhores momentos de um amor
são aqueles em que te assalta
uma serena e doce melancolia;
quando choras
sem saber por quê;
quando calmamente te resignas
ante uma desventura sem saber qual
é;
quando te deleitas com uma
ninharia
e sorris com menos ainda...
Embora deixemos exposto nosso lado mais frágil ao nos entregarmos a quem amamos, não se deve temer o amor. Como dizia Oscar Wilde, Deus só pode entrar em um coração partido.


Sobre o pecado.


   Bem, esse é um assunto um tanto quanto "polêmico" e pretendo não entrar em méritos religiosos, apenas expor MEU ponto de vista acerca do que é pecado, do que é certo e do que é errado. Sou católica, porém não tradicional, concordo com alguns dogmas da minha igreja e acredito em grande parte da sua interpretação sobre a bíblia. Não quero, entretanto, levar em consideração as diversas interpretações bíblicas ( até porque não tenho competência teológica para discorrer o assunto dessa forma ). O motivo desse post é apenas expor o que eu sinto em relação a tudo isso, não sou a dona da verdade ( nem quero ser), mas espero que reflitam sobre o meu ponto de vista.
  Ora, vou começar o assunto dizendo que eu não sei o que é pecado conceitualmente. Não sei o que é certo. Não sei o que é errado. São perguntas tão subjetivas e tão relativas!. Analisamos, geralmente, o termo pecado ligado à religião e às interpretações bíblicas diversas que podem ser encontradas. E isso gera um extremo desconforto quando a ideia do que é pecado pra você, não é  a mesma ideia de pecado pra mim. Entra-se em uma enorme discussão, na qual nenhum mudará suas ideias ou um se deixará levar pela ideia do outro ou em casos raros e felizes os dois pensarão, agora, de forma diferente.
    Na minha humilde percepção , o pecado (algo tão valorativo ) pode ser explicado na seguinte frase : Se existe amor, não há pecado. Explico. Bem, não vou ser hipócrita e dizer que leio a bíblia sempre e que sei que isso e aquilo estão escritos e dessa forma tem que ser. Não sei muito, mas um coisa eu tenho certeza : " Amai-vos uns aos outros como eu vos amei ". O maior ensinamento que Cristo nos deixou foi o AMOR. Falo, eu, da perspectiva cristã. Mas é claro que o amor é universal. Hão de concordar comigo que é disso que o mundo precisa, independente de filosofia religiosa.
     Existem muitas questões polêmicas que são discutidas nas religiões sobre o pecado em relação a conduta do ser como: o sexo antes do casamento, o aborto, o uso de camisinha e a homossexualidade, além de outras minúcias vistas em algumas igrejas mais conservadoras ( como o uso de certos modelos de roupas, o tipo de música que o individuo ouve, o tipo de programas de tv/filmes que o individuo vê, dentre outras que não vou, nem quero, discutir aqui ).
    Eu não vejo o uso de preservativos e a homossexualidade como pecado, como interpreta a minha igreja ( nem por isso nego minha religião, nem por isso nego o meu Deus). Assim como vejo o aborto como pecado, mas nem por isso concordo com o fato de ser ilegal. De qualquer forma, se você acha que é pecado, te respeito. Mas quem nunca pecou, que atire a primeira pedra !  Nós somos seres humanos e somos naturalmente pecadores. TODOS somos pecadores e o meu pecado não é maior nem pior que o de ninguém. Não julguem uns aos outros pelos seus pecados, amai-vos. Ora, como eu posso dizer que é errado, incoerente, que é pecado algo que eu não estou sentindo? como eu posso julgar que a conduta alheia é errada se eu não posso compreender que apesar de não ser uma conduta coerente com a minha ideia do que é certo, existe amor? Como eu posso chegar em alguém e dizer que ela não merece o paraíso, que ela está entregue ao diabo se eu NÃO SEI o que passa em seu interior?. 
     A igreja coloca muitas coisas como pecado, mas para mim a tese mais válida é a de Deus no meu coração. O amor está acima de tudo. Se sua conduta é voltada para a bondade, para o amor ao próximo, quem pode te julgar?. Deus é amor! Se Deus é amor e minha conduta é feita com amor, por que ela seria pecado?. Devemos parar de julgar o que achamos ser o "pecado"  dos outros, olhar pro nosso interior e nos perguntar se estamos realmente praticando nossas condutas com amor. Afinal, a hipocrisia é o grande pecado da sociedade. 

Sobre o sofrimento.


E volto com um trecho do livro Nietzsche para estressados, dessa vez Allan Percy nos ajuda a entender uma máxima que nos ajuda a lidar com o sofrimento.

Não há razão para buscar o sofrimento,
mas, se ele surgir em sua vida,
não tenha medo: encare-o de frente
e com a cabeça erguida

   EM UM DE SEUS AFORISMOS mais célebres, Buda disse que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Do nascimento à morte, a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos a essa dor só
depende de nós. Se a encararmos de forma trágica, ela se transformará
em sofrimento. Uma coisa é o que acontece no exterior e outra é o que se dá no interior de cada indivíduo. Aquele que tem medo de enfrentar a dor a receberá sempre como uma maldição. Ele nunca saberá o que fazer com a escuridão que toma conta de sua vida, que antes parecia tão feliz.
 O filósofo lida com a dor e tenta extrair dela um benefício em forma de conhecimento. Mesmo os momentos mais duros da vida, como quando sofremos uma terrível perda, são portas abertas em direção a algo que precisávamos conhecer. Se estivermos conscientes de que todo fim é ao mesmo tempo um começo, a dor e o possível sofrimento serão para nós uma escola que nos permitirá entender mais profundamente o que significa ser humano.

Sobre maturidade.


O que se aprende na maturidade não são coisas simples, como
adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar
a ter condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por
conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tensões e
que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas
mais tóxicas. Aprende-se que o mundo adora o talento, mas recompensa
o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não
estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas.
Aprende-se, finalmente, que, por maior que seja nosso empenho
em agradar aos demais, sempre haverá pessoas que não nos
amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se
mostra muito tranquilizadora.

(John W. Gardner em Personal Renewal)

Sobre amizade [2].


Outro trecho do livro " Nietzsche para estressados" sobre a amizade, que vale a pena conferir :


Preciso de companheiros,
mas de companheiros vivos,
não de cadáveres que eu tenha que
levar nas costas por toda parte

  SOBRE A AMIZADE, NIETZSCHE recomenda: “Seja para seu amigo um leito de repouso, mas um leito duro, como uma cama de campanha.” Sem dúvida, nossos companheiros mais valiosos são aqueles capazes de festejar nossas vitórias, como dizia Oscar Wilde, mas também aqueles capazes de nos fazer enxergar que estamos equivocados.
   As pessoas que nos advertem sem levar em conta o que esperamos escutar, apenas pelo nosso bem – nem sempre as duas coisas estão juntas: há quem censure por rancor –, são as que nos permitem melhorar. Esta seria a definição de um bom amigo: alguém diante do qual podemos nos comportar de forma autêntica e que nos ajuda a vencer os obstáculos da vida. E muitos desses obstáculos somos nós mesmos que colocamos no nosso caminho.
   Por isso, os grandes líderes da história não se deixaram levar por bajuladores, mas escolheram, para ficar ao seu lado, pessoas capazes de transmitir a própria opinião sobre as coisas. Com companheiros assim, multiplicamos nossa compreensão do mundo e, consequentemente, nosso poder.

~x~

Bem, concordo plenamente com Allan Percy e fico feliz em perceber que tenho amigos assim. E você? Tem amigos ou bajuladores ?

O que toda balança deveria mostrar.


Sobre amizade.


 Estou lendo (e adorando) o livro " Nietzsche para estressados " do escritor Allan Percy, um livro autoajuda em que o autor reúne 99 máximas do alemão e as discorre em diversos assuntos. A amizade é um dos temas que eu mais gosto de postar aqui ( vocês já devem ter percebido) e é também o assunto de um dos trechos do livro ( até agora um dos que mais gostei) e como não sou egoísta, compartilho com vocês :


Alegrando-se por nossa alegria,
sofrendo por nosso sofrimento –
assim se faz um amigo

     OSCAR WILDE DIZIA que não é difícil encontrar pessoas dispostas a se compadecer de nossas provações, mas são raras aquelas que se alegram sinceramente com nossos triunfos. Um amigo assim,  segundo o autor de O retrato de Dorian Gray, deve ter uma natureza muito pura.
       Por que é tão difícil compartilhar os êxitos? Provavelmente porque, nesses momentos, a comparação é inevitável. Em vez de festejar a boa notícia, o interlocutor pergunta a si mesmo: “Por que não eu?”
     Os verdadeiros amigos assinam um pacto de nobreza em relação a todos os aspectos do destino humano. Sobre isso, Voltaire, que viveu um século antes de Nietzsche, afirmou:

A amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e
virtuosas. Sensíveis porque um monge ou um solitário podem
ser pessoas de bem e mesmo assim não conhecer a amizade. E
virtuosas porque os malvados só têm cúmplices; os festeiros,
companheiros de farra; os ambiciosos, sócios; os políticos reúnem
os partidários ao seu redor; os vagabundos têm contatos; e
os príncipes, cortesãos – mas só as pessoas virtuosas têm amigos.

relatos sobre uma personagem qualquer.

 Estava cansada, já era tarde. Era tarde da noite, mas também era tarde demais para consertar os erros que havia cometido. Não havia mais o que fazer, não  havia mais pra onde correr. Seus problemas não eram tão grandes assim, bobagens. Seus erros tampouco eram  imperdoáveis. Mas seu egocentrismo ao invés de fazê-la o centro do seu mundo, a fazia o centro do seu próprio precipício. Era como se ela estivesse caindo em câmera lenta em um precipício infinito. Onde seus gritos ecoavam, mas ninguém conseguia ouvir. Não havia ninguém. Estavam todos muito longe, apesar de olharem nos seus olhos todos os dias. Fechou os olhos. Sufocou-se em pensamentos.