Depois da Invasão do Instituto Royal por ativistas, que salvou os cães da raça beagle de maus tratos, o assunto repercutiu notoriamente na internet e principalmente nas redes sociais. E como eu prefiro meus animais de estimação do que muuuuuuita gente, resolvi dissertar um pouco sobre o assunto.
A discussão do uso de animais é antiga, desde o século XVIII há quem se preocupa com outros gêneros que não o homo. A questão não é se falam ou raciocinam, mas se podem ou não sofrer. Depois de muito se discutir, hoje, têm-se a visão ( legal) da experimentação animal apenas quando for NECESSÁRIA, quando não haja absolutamente nenhuma outra de forma de se conseguir o avanço tecnológico RELEVANTE pretendido. Se necessária, a experimentação, segundo o Conselho das Organizações Internacionais de Ciências Médicas, em seu regulamento de ética, deve ser o mais indolor possível, e preferir as espécies "menos evoluídas" ou criadas especialmente para tais experiências.
Após a invasão dos ativistas ao Instituo Royal, além da discussão do """"""vandalismo""""""" por eles cometido, entrou-se uma discussão sobre a hipocrisia da forma como esse assunto é tratado. Alguns abrem as críticas por serem defensores de animais, as mesmas pessoas que os consomem na alimentação. Não haveria sentido defender alguns animais e se alimentar de outros. OPA. Não é preciso ser vegetariano para defender que animais não devem ser torturados. O consumo de animais para alimentação não é condenável, uma vez que não somos Herbívoros por natureza, assim como nós, muitos animais se alimentam de outras espécies. E mesmo ao consumir carne bovina, por exemplo, deve-se ter toda uma preocupação de como o gado é preparado ( E sim, assim como existem ativistas preocupados com os beagles, existe quem luta pela maior fiscalização dos maus tratos aos bovinos). Existe também aqueles que dizem que as pessoas só estão se comovendo por serem animais fofinhos e domésticos, que ninguém se comove com as cobras do Butantan ou com os diversos ratos e baratas de laboratórios. Como o próprio Cioms determina, deve haver uma preferência para que esses animais sejam usados ao invés dos domesticáveis. No caso das cobras usadas no instituto butantan, elas são necessárias, por não haver outro método ainda de obter-se, por exemplo, os antídotos. Mas parte-se da pressuposição de que elas recebem um tratamento no qual têm o mínimo possível de sofrimento, por isso, a fiscalização é necessária. O uso de camundongos e baratas também deve ser feito com cautela. ASSIM, como, quando extremamente necessário, o uso de cães, coelhos e gatos.
É meio óbvio que nós, geralmente, temos maior afeição por cães e gatos, do que por uma barata. Por serem mamíferos, por serem afetivos, por termos uma maior aproximação do que com répteis e insetos. São raros os admiradores de insetos e raros aqueles que têm cobras como animais de estimação ( apesar de serem linnnnndas). Primeiro trata-se de uma questão cultural ( assim como a vaca é um ser sagrado na índia e cães são usados na alimentação chinesa) . Segundo, por serem insetos e ratos de alta reprodução, são mais utilizados em pesquisas. E, repetindo, quando utilizados, deve isso ser feito com ética.
Atualmente existem várias formas que suprem o uso de animais para experimentação, no Reino Unido, por exemplo, é raríssima a utilização de cães para experimentos. Existem também muitas empresas brasileiras que já não utilizam animais para testar cosméticos ( clique para ver a lista de empresas que não testam em animais, da PEA).
O problema do Instituto Royal não foi só o de experimentação em cães ( não totalmente necessária), mas também a forma como isso estava sendo feito. Não é hipocrisia querer que animais indefesos não sejam maltratados e torturados em razão de um "avanço tecnológico", sejam eles cães, gatos, camundongos, cobras ou baratas.
by Ana Carolina de Sousa
quinta-feira, 24 de outubro de 2013