Outros olhos.

Naquela tarde ensolarada,  Joana fora se encontrar com uma velha amiga, Bianca. Há anos não se viam. Sua amiga do velho ginásio estava quase da mesma forma: linda e ruiva. Bianca parecia ter tomado banho em formol por todos esses anos.  Encontraram-se em um velho café, na esquina da antiga casa de Bianca. Conversavam. Bem, quase isso. Joana ouviu dizer, certa vez, que algumas pessoas não escutam o que a outra diz, apenas, por cordialidade, esperavam sua vez de falar. Isso se aplicava bem a Bianca. A ruiva dos olhos esverdeados conseguia ser mais tagarela que Joana, e sem nenhuma dificuldade, ignorava o que a amiga dizia, pra contar sua próxima história. A única coisa que havia mudado, aparentemente, desde os tempos do ginásio, era o sorriso de Bianca, que, agora, estava sem nenhum metal. Joana, após algum tempo, fingia escutar. Apenas observava a ruiva falar, falar, falar. Não entendia como eram amigas. Ou como ainda podiam se chamar assim. Seus assuntos se tornaram tão distantes. E a única coisa que as uniam era um laço feito há tempos atrás. As velhas histórias. Por um momento, Joana pensara que Bianca estava muito diferente de anos atrás, sua amiga costumava ser tão legal. Chegou, então, à conclusão de que talvez fosse ela mesma, ela que havia se tornado uma chata. Ou apenas, agora, via o mundo por outro viés. Nada é pra sempre. Ainda bem, pensou. Até breve, disse, sabendo que não se veriam tão cedo.

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