Três vidas não seriam suficiente
para amá-lo como o amou. Sete séculos
não seriam o bastante para fazer tudo que ela achava necessário fazer por ele.
Nenhum ser vivo no planeta poderia compreender quão intenso era o que ela
sentia. Ele não era dela. Ela não era
dele. Ele era apenas dele. Ela era apenas dela. Cada qual em sua bolha. Cada
qual em seu mundinho de coisas inúteis. Ela era hipérbole. Ele era
eufemismo. Resolveu, então, ela, no
ápice de seu amor imensurável e totalmente imerso no fundo de um coração petrificado
pelo tempo, enfiar-lhe uma faca em seu peito enquanto
repousava. Ora, ora. “Que prova maior de
amor poderia lhe dar, do que a vida eterna?” pensou enquanto limpava
cuidadosamente aquelas gotas vermelhas vermelhas vermelhas do lençol .
Sempre gostou
de poesia. Cada palavra era pedaço de um
verso mágico que se formava e logo corria em direção à sua alma. Para ela não
importava a forma, de haicais a sonetos e decassilábicos. Sua alma poderia ser
definida com pouco mais de uma dúzia de poemas. Era uma mistura poética de Leminski, Bukowski, Álvares de Azevedo, Drummond e tantos outros. Talvez nenhum desses a entenderia, mas suas
poesias, ah, essas sim, liam cada parte do seu ser. Gostava de poesia. Quando
criança, alguém lhe perguntou : “o que quer ser quando crescer?”. Parou.
Pensou. Com o livrinho de poesias infantis em mãos, respondeu com um sorriso no
olhar: Quero escrever poesia. Poetisa.
E é claro que riram da pobre criança.
Sempre gostou
de poesia. Paradoxalmente, nunca conseguiu fazer poesia. Talvez a poesia fosse
pra ela, mas ela não fosse pra poesia. A vida tem dessas coisas. Nem tudo é
correspondido, nem mesmo o amor pela poesia.
Talvez seu eu-lírico não fosse tão entregue aos versos como gostaria, ou
porque era tão entregue às palavras que não se conformava em ficar nos
versos. Toda poesia que tentava fazer,
virava prosa. Não conseguia fazer poemas decassilábicos, sonetos e muito menos
haicais. Mas conseguia vivê-los. Sua
vida era uma poesia contada em forma de prosa.
Ah, mais um do ilustríssimo Drummond :
CONSOLO NA PRAIA
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
Depois da Invasão do Instituto Royal por ativistas, que salvou os cães da raça beagle de maus tratos, o assunto repercutiu notoriamente na internet e principalmente nas redes sociais. E como eu prefiro meus animais de estimação do que muuuuuuita gente, resolvi dissertar um pouco sobre o assunto.
A discussão do uso de animais é antiga, desde o século XVIII há quem se preocupa com outros gêneros que não o homo. A questão não é se falam ou raciocinam, mas se podem ou não sofrer. Depois de muito se discutir, hoje, têm-se a visão ( legal) da experimentação animal apenas quando for NECESSÁRIA, quando não haja absolutamente nenhuma outra de forma de se conseguir o avanço tecnológico RELEVANTE pretendido. Se necessária, a experimentação, segundo o Conselho das Organizações Internacionais de Ciências Médicas, em seu regulamento de ética, deve ser o mais indolor possível, e preferir as espécies "menos evoluídas" ou criadas especialmente para tais experiências.
Após a invasão dos ativistas ao Instituo Royal, além da discussão do """"""vandalismo""""""" por eles cometido, entrou-se uma discussão sobre a hipocrisia da forma como esse assunto é tratado. Alguns abrem as críticas por serem defensores de animais, as mesmas pessoas que os consomem na alimentação. Não haveria sentido defender alguns animais e se alimentar de outros. OPA. Não é preciso ser vegetariano para defender que animais não devem ser torturados. O consumo de animais para alimentação não é condenável, uma vez que não somos Herbívoros por natureza, assim como nós, muitos animais se alimentam de outras espécies. E mesmo ao consumir carne bovina, por exemplo, deve-se ter toda uma preocupação de como o gado é preparado ( E sim, assim como existem ativistas preocupados com os beagles, existe quem luta pela maior fiscalização dos maus tratos aos bovinos). Existe também aqueles que dizem que as pessoas só estão se comovendo por serem animais fofinhos e domésticos, que ninguém se comove com as cobras do Butantan ou com os diversos ratos e baratas de laboratórios. Como o próprio Cioms determina, deve haver uma preferência para que esses animais sejam usados ao invés dos domesticáveis. No caso das cobras usadas no instituto butantan, elas são necessárias, por não haver outro método ainda de obter-se, por exemplo, os antídotos. Mas parte-se da pressuposição de que elas recebem um tratamento no qual têm o mínimo possível de sofrimento, por isso, a fiscalização é necessária. O uso de camundongos e baratas também deve ser feito com cautela. ASSIM, como, quando extremamente necessário, o uso de cães, coelhos e gatos.
É meio óbvio que nós, geralmente, temos maior afeição por cães e gatos, do que por uma barata. Por serem mamíferos, por serem afetivos, por termos uma maior aproximação do que com répteis e insetos. São raros os admiradores de insetos e raros aqueles que têm cobras como animais de estimação ( apesar de serem linnnnndas). Primeiro trata-se de uma questão cultural ( assim como a vaca é um ser sagrado na índia e cães são usados na alimentação chinesa) . Segundo, por serem insetos e ratos de alta reprodução, são mais utilizados em pesquisas. E, repetindo, quando utilizados, deve isso ser feito com ética.
Atualmente existem várias formas que suprem o uso de animais para experimentação, no Reino Unido, por exemplo, é raríssima a utilização de cães para experimentos. Existem também muitas empresas brasileiras que já não utilizam animais para testar cosméticos ( clique para ver a lista de empresas que não testam em animais, da PEA).
O problema do Instituto Royal não foi só o de experimentação em cães ( não totalmente necessária), mas também a forma como isso estava sendo feito. Não é hipocrisia querer que animais indefesos não sejam maltratados e torturados em razão de um "avanço tecnológico", sejam eles cães, gatos, camundongos, cobras ou baratas.
Com vocês, o grandessíssimo Drummond:
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Três horas e
trinta minutos, era o que marcava o relógio da sala de estar. A madrugada, ao
contrário das últimas semanas, estava fria. E Lúcia, assim como nas últimas
semanas, olhava para o tiquetaquear do relógio sem nenhuma previsão de sono.
Ela gostava de madrugadas. Eram silenciosas. A impressão que tinha era que,
diferentemente do que ocorria no restante do dia, durante a madrugada ninguém
poderia encontra-la. A solidão se instalava e com ela havia um sentimento ambíguo de
tristeza e prazer. Gostava da sensação de não ter ninguém ali. Era uma paz que
só encontrava àquela hora do dia. Mas sentia um incômodo, não gostava de
sentir-se só. Paradoxalmente queria estar sozinha, sem ninguém que a
incomodasse. Mas não queria se sentir sozinha. Lúcia olhava para o relógio,
contava os ponteiros, pensava em quantas horas faltavam para ter que acordar e
viver. Ou sobreviver, como preferia pensar, sobreviver a mais um dia cheio de
coisas vazias a fazer. Entre uma olhada e outra ao relógio da sala de estar,
sentava na velha poltrona de seu falecido avô – que ainda tinha aquele estranho
cheiro de vovôs. Ria sempre que pensava nisso. Sempre, ao sentar-se lembrava
que ali tinha cheiro de avós, e que vovós e vovôs cheiram mais que Chanel
número 5, tem um cheiro diferente de todos os outros. Pensava se cheiraria
assim quando ficasse velha. Pensava se ainda se sentaria ali de madrugada
quando estivesse velha. Pensava se teria
alguém, finalmente, na poltrona ao lado, quando estivesse velha ou se continuaria
ali, naquela estranha e prazerosa solidão. Sentada, escrevia. Rabiscos, devaneios de
desejos obscuros que só apareciam ali, ao tiquetaquear do relógio na madrugada.
Três horas e
cinquenta minutos. Allan aparecia na sala de estar. Olhava para Lúcia, em meio
à penumbra, e sorria. Allan não era o tipo de rapaz que as pessoas julgam
bonito, mas tinha seu charme. Era dono do sorriso mais lindo que Lúcia já havia
visto e do olhar mais doce. Seu jeito brincalhão e seu sotaque meio britânico encantavam qualquer garota que ficasse em sua companhia por alguns poucos
minutos. Lúcia sorria. Era inevitável não sorrir ao olhar para Allan. Ele a fazia querer largar toda aquela solidão. Fazia-a querer abraça-lo e passar o
resto da noite ao seu lado, mirando o seu charmoso semblante. Ele a
levantava, a abraçava, e quando ela se sentia no céu ao estar nos braços daquele
homem, lentamente ele a apunhalava. Sugava todo seu sangue. Toda a sua alma.
Deixava-a vazia.
Quatro horas e
quinze minutos. A folha cheia de rabiscos era colocada, com Allan, no lixo. Lúcia
estava sozinha novamente, como o de costume. Talvez já fosse hora de se apaixonar novamente.
Fazia sol lá fora. Era um dos
dias mais quentes do ano. A cada gota de suor que escorria por sua testa, a
piscina mais tentadora lhe parecia. Só não era tão tentadora quanto a sua preguiça. O
dia vívido lá fora, contrastava com a escuridão do seu quarto.
Deitada,
olhando para cima, imaginava. Imaginava como sua vida poderia ter sido feliz se
algum dos planos que havia traçado tivesse sido realizado, imaginava como seria
se tivesse conseguido ter um relacionamento com alguém por mais de um mês,
imaginava como seria se ainda cultivasse amizades antigas. Sua vida poderia ser
tão diferente. Mas a realidade era a mesma
de sempre. E ela sempre acabava ali, naquele quarto escuro. É certo que as
coisas não estavam de todo ruim, entretanto, o desânimo que a acompanhava há
tempos aumentava assim que ocorria qualquer deslize. Ela não era infeliz,
tampouco feliz. Era como se fizesse parte daquela escuridão, era ausência de
luz, era ausência de alma.
O quarto frio
e escuro refletia o seu estado de espírito. O relógio de cabeceira marcava três
horas da manhã. Sua mente marcava apenas mais uma hora em frente ao computador.
Bianca estava no auge de sua juventude, vinte e três anos. Com a energia de uma
senhora de setenta – não dessas
senhorinhas que fazem academia e têm mais energia que qualquer adolescente de quinze anos na hora pular em cima de um jump, mas daquelas que o máximo de aventura
que conseguem ter é a de assistir o vale a pena ver de novo enquanto terminam de
fazer a barra das calças que seu neto do meio trouxera no último final de
semana. Pensando bem, Bianca não teria energia para consertar roupas e assar
pães de queijo. Eram vinte e três anos com o entusiasmo de um vegetal.
Seu cabelo cor
de mel combinava perfeitamente com o verde esmeralda que coloria seus
olhos. Era feita de uma beleza clichê,
assim como era feita de uma vida clichê. Ia para o escritório todos os dias
úteis da semana com o HB20 branco que ganhou assim que tirou a CNH, saia às
dezoito e trinta, chegava às vinte, devido ao engarrafamento. Passava a noite
no computador. Todo final de semana ia ao happy hour com o pessoal do
escritório. Namorava sério um rapaz de
nome Pedro, do setor de contabilidade. Bianca tinha a vida que sempre havia
imaginado. E, contrariando todas as suas expectativas criadas durante a
faculdade, não conseguia se imaginar mais infeliz.
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Cartola tocava
no media player. O mundo era mesmo um moinho, pensou. O telefone começou a
tocar. A música não a deixava ouvir o telefone, assim como seus pensamentos não
a deixavam ouvir a música. O telefone voltou a tocar. A música terminou. Finalmente
o telefone parou. O mundo já havia reduzido suas ilusões a pó.
Sua vida era
perfeita, diziam. Não podia querer mais, falavam. Você tem tudo que precisa ser
feliz, pensavam. Mas não era, contestava. Em cima do criado, uma garrafa de
Jack pela metade. Um copo vazio, com gelo já derretido. Desligou o computador. Bebeu mais um copo
de uísque. Amanhã acordava cedo, pensou. A ideia de voltar para aquela monotonia
de sempre não lhe agradava. Queria ter coragem de sair dali, ir para bem longe.
Sumir. Um lugar que não pudessem encontrá-la, onde não precisasse dar satisfação a
ninguém. Viveria, apenas. A ideia de ir e não mais voltar, essa sim, lhe agradava.
Bebeu mais um
copo de uísque, agora, com gelo. Dormiu. Acordou atrasada para o trabalho, como em
toda segunda-feira.
Antigamente, se morria
1907, digamos, aquilo sim
é que era morrer.
Morria gente todo dia,
e morria com muito prazer,
já que todo mundo sabia
que o Juízo, afinal, viria,
e todo mundo ia renascer.
Morria-se praticamente de tudo.
De doença, de parto, de tosse.
E ainda se morria de amor,
como se amar morte fosse.
Pra morrer, bastava um susto,
um lenço no vento, um suspiro e pronto,
lá se ia nosso defunto
para a terra dos pés juntos.
Dia de anos, casamento, batizado,
morrer era um tipo de festa,
uma das coisas da vida,
como ser ou não ser convidado.
O escândalo era de praxe.
Mas os danos eram pequenos.
Descansou. Partiu. Deus o tenha.
Sempre alguém tinha uma frase
que deixava aquilo mais ou menos.
Tinha coisas que matavam na certa.
Pepino com leite, vento encanado,
praga de velha e amor mal curado.
Tinha coisas que têm que morrer,
tinha coisas que têm que matar.
A honra, a terra e o sangue
mandou muita gente praquele lugar.
Que mais podia um velho fazer,
nos idos de 1916,
a não ser pegar pneumonia,
deixar tudo para os filhos
e virar fotografia?
Ninguém vivia pra sempre.
Afinal, a vida é um upa.
Não deu pra ir mais além.
Mas ninguém tem culpa.
Quem mandou não ser devoto
de Santo Inácio de Acapulco,
Menino Jesus de Praga?
O diabo anda solto.
Aqui se faz, aqui se paga.
Almoçou e fez a barba,
tomou banho e foi no vento.
Não tem o que reclamar.
Agora, vamos ao testamento.
Hoje, a morte está difícil.
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.
Agora, a morte tem limites.
E, em caso de necessidade,
a ciência da eternidade
inventou a criônica.
Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.
- PAULO LEMINSKI
Os protestos pela redução da
tarifa de ônibus aumentaram seus objetivos e eclodiram por toda nação pedindo
mais saúde, educação, respeito e menos gastos absurdos com o que não é
necessário ( a copa do mundo é nossa, não há quem possa) . Enfim, disso todo
mundo tá cansado de saber, qualquer pessoa que liga a tv, ou entra no facebook
se depara com tudo isso. É uma manifestação sem lideranças políticas, mas com
fins políticos. É uma manifestação do povo clamando por mudanças , por uma reforma
política. O que antes só se via no exterior, se vê agora na nação verde,amarela,
branca, azul anil.
Até aí, nenhuma novidade.
Então, por que eu disse que está tudo errado? Não, eu não sou contra nenhuma
manifestação, até fui pra rua e vou continuar indo pra rua. É uma coisa linda,
o Brasil acordando e pedindo democracia. O povo pedindo explicações e cansado
de ser explorado todos os dias. O que me deixa intrigada é o rumo que tudo isso
vai tomar. Vamos por partes :
- Os oportunistas e o terror
sobre os oportunistas. De um lado prevalece o medo de oportunistas tomarem
a liderança do movimento e acabarem com
um golpe de estado, do outro vê-se um medo exagerado disso acontecer, com
inúmeras teorias ( a lá teoria da conspiração) de que isso ocorrerá de alguma
forma por algum partido.
- O endeusamento do presidente do
STF Joaquim Barbosa. GENTE, por favor,
não tenho nada contra o ministro, mas PRÉ-ELEGER como novo presidente do Brasil
o ministro do STF que é LÍDER EM PROCESSOS ESTOCADOS?! É esse o cara que vai “salvar”
a nação?. Primeiro, não precisamos salvar a nação. Segundo, o problema principal
não vem da presidência. Não sei se vocês sabem, mas o governo não se faz só com
presidente. O governo se faz com os senadores, deputados, vereadores, governadores,
prefeitos e não sei se observaram, mas a maioria desses são de oposição. Então
não há sentido em culpar somente a presidente e seu partido, se todos têm
culpa. E isso me leva ao próximo ponto.
- Pedido incoerente de Impeachment. E das mesmas pessoas que sai essa asneira,
sai ambém: “ Dilma, vete a PEC 37”. Antes de sair compartilhando qualquer
coisa que você vê no facebook, antes de sair pedindo impeachment de um
presidente, leia a sua Constituição
Federal. Ou pelo menos digite no google “:O que é de competência do presidente
da república?”. As pessoas também usam o
facebook pra te manipular. A presidente
NÃO pode vetar a PEC ( Proposta de emenda constitucional), ela só pode
sancionar. A Emenda depende da votação nas duas casas, ou seja, não é pra
presidente que você tem que gritar.
- Pessoas gritam contra PEC 33 E
37 sem ao menos entender o que são. Quanto a PEC 33, podem gritar a vontade, é
uma afronta à nossa constituição. Dá ao congresso controle sobre ações do STF
(principio da isonomia, cadê?), com a
PEC 33 as sumulas vinculantes terão que ser aprovadas pelo legislativo e a inconstitucionalidade das emendas serão de
decisão do Congresso Nacional. Já a PEC 37, bem, sinto informar que ela é
constitucional. A PEC da “impunidade”, tira do MP o poder de investigação, mas
perai .... segundo a CF o MP tem competência para elaborar inquérito ( investigar)
civil, mas não penal. Este é de competência da polícia judiciária, mas o MP tem
o poder de requisitar diligências durante a investigação. O que não pode é conduzir sozinho ou liderar a investigação.
BEM e o que a PEC 37 QUER AFINAL? Ela quer
acrescentar o seguinte parágrafo no art. 144 da CF ( que distribui as
competências em relação à segurança publica) :
“ § 10. A apuração das
infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste
artigo, incumbem privativamente às polícias federal e
civis dos Estados
e do Distrito Federal,
respectivamente”
Isso delimitaria ainda mais o Ministério Público nas
investigações, o que leva a ser chamada de PEC da “impunidade” pois os
principais casos investigados pelo MP são os cometidos pelos nossos queridos
políticos. Não estou dizendo que você
não deve ser contra a PEC 37, mas que deve saber PORQUE é contra e se realmente
é. Leia a PEC na integra aqui
- (IN)Feliciano. A gente já tem TANTO problema, e o nosso queridíssimo pastor
traz força à proposta da “ cura gay” ( A qual permite que psicólogos “tratar” a
homossexualidade ). Eu duvido muito que ela passe e seja aprovada... mas ter
pessoas que apoiam esse tipo de projeto, me assusta.
- Anonymous.
Sinceramente, eu queria saber quem são as pessoas por trás do Anonymous brasil. O último vídeo deles lançado, concordo em parte. Realmente as tarifas
foram baixadas só porque o governo tirou os impostos das empresas de ônibus –
oras, todo mundo só reclamava pra dilma ¬¬ - e quem vai continuar pagando somos
nós, o que é um absurdo.), mas o restante do vídeo me deixa com uma pulga atrás
da orelha... as coisas não são bem assim.
- Pronunciamento da Dilma. Todo mundo queria que ela se
pronunciasse, a velha se pronunciou e todo mundo reclamou. Quanto a saúde, trazer médicos cubanos (por
melhor que seja o sistema de saúde de cuba) não vai resolver os problemas do
SUS, isso é certo. Quanto a educação,
apoio totalmente a utilização do dinheiro do petróleo todo na educação, mas que
seja sem desvios.
- Todo mundo reclamando do caráter pacífico da manifestação.
Primeiro reclamam do vandalismo, depois reclamam da manifestação ter sido
pacífica. WTF?! Gritam “sem violência”, “sem vandalismo”, e quando isso
acontece julgam todos que estavam na manifestação como pessoas indo pra uma
social. Não reclamo do caráter pacífico da manifestação, não é porque não
colocaram fogo em lixeiras, não queimaram ônibus que não queremos nossos
direitos. O que eu vi foi gente de todas as classes sociais, de todas as
idades, de todas as tribos unidas por um só motivo : melhorar o país.
Concluindo : Todo mundo acordou, todo mundo quer mudança,
todo mundo quer um Brasil melhor... mas tudo ainda está confuso, oportunistas aparecem
de todas as partes e terroristas sobre oportunistas também. Não é só a globo manipula
informações, como o seu facebook também. Milhares de pessoas são influenciadas
por uma dúzia de posts e vídeos falando
asneira e vão pra rua com esse pensamento. ESTUDE ANTES DE SAIR COMPARTILHANDO
TUDO QUE VÊ POR AÍ, FORME A SUA PRÓPRIA OPINIÃO.
É lindo ver todo mundo acordando e procurando seus direitos, indo atrás de
mudança. Acredito na força dessas manifestações, acredito na força do nosso
povo, acredito que trará bons resultados. Mas é preciso que o povo se informe. Espero que o fruto disso tudo seja um país
mais justo.
Lembrança de morrer- Alvares de Azevedo.
Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!
Para a turminha do ~ no pain, no gain ~ das redes sociais :
by Ana Carolina de Sousa
terça-feira, 23 de abril de 2013
Só porque adorei essa imagem.
Só porque sempre odiei essas comparações estupidas da gordinha que emagreceu e deve ser um exemplo a ser seguido.
Segue um trecho do livro Oscar Wilde para inquietos, de Allan Percy :
O mais terrível não é termos
nosso
coração partido (pois corações
foram
feitos para ser partidos), mas
transformar
nossos corações em pedra.
OSCAR WILDE AMOU DE CORPO E ALMA porque sabia que não há nada que se compare a duas pessoas que buscam se conhecer, dois seres que saem à procura do encontro, mesmo que, com isso, se exponham a riscos consideráveis.
Como disse mais de uma vez, há beleza nesse sofrimento. É também o que afirmava o poeta, ensaísta e filólogo italiano Giacomo Leopardi em um de seus poemas mais conhecidos:
Os segredos do coração humano
são às vezes tão profundos
que não se podem penetrar
facilmente;
por essa razão,
os melhores momentos de um amor
são aqueles em que te assalta
uma serena e doce melancolia;
quando choras
sem saber por quê;
quando calmamente te resignas
ante uma desventura sem saber qual
é;
quando te deleitas com uma
ninharia
e sorris com menos ainda...
Embora deixemos exposto nosso lado mais frágil ao nos entregarmos a quem amamos, não se deve temer o amor. Como dizia Oscar Wilde, Deus só pode entrar em um coração partido.
Bem, esse é um assunto um tanto quanto "polêmico" e pretendo não entrar em méritos religiosos, apenas expor MEU ponto de vista acerca do que é pecado, do que é certo e do que é errado. Sou católica, porém não tradicional, concordo com alguns dogmas da minha igreja e acredito em grande parte da sua interpretação sobre a bíblia. Não quero, entretanto, levar em consideração as diversas interpretações bíblicas ( até porque não tenho competência teológica para discorrer o assunto dessa forma ). O motivo desse post é apenas expor o que eu sinto em relação a tudo isso, não sou a dona da verdade ( nem quero ser), mas espero que reflitam sobre o meu ponto de vista.
Ora, vou começar o assunto dizendo que eu não sei o que é pecado conceitualmente. Não sei o que é certo. Não sei o que é errado. São perguntas tão subjetivas e tão relativas!. Analisamos, geralmente, o termo pecado ligado à religião e às interpretações bíblicas diversas que podem ser encontradas. E isso gera um extremo desconforto quando a ideia do que é pecado pra você, não é a mesma ideia de pecado pra mim. Entra-se em uma enorme discussão, na qual nenhum mudará suas ideias ou um se deixará levar pela ideia do outro ou em casos raros e felizes os dois pensarão, agora, de forma diferente.
Na minha humilde percepção , o pecado (algo tão valorativo ) pode ser explicado na seguinte frase : Se existe amor, não há pecado. Explico. Bem, não vou ser hipócrita e dizer que leio a bíblia sempre e que sei que isso e aquilo estão escritos e dessa forma tem que ser. Não sei muito, mas um coisa eu tenho certeza : " Amai-vos uns aos outros como eu vos amei ". O maior ensinamento que Cristo nos deixou foi o AMOR. Falo, eu, da perspectiva cristã. Mas é claro que o amor é universal. Hão de concordar comigo que é disso que o mundo precisa, independente de filosofia religiosa.
Existem muitas questões polêmicas que são discutidas nas religiões sobre o pecado em relação a conduta do ser como: o sexo antes do casamento, o aborto, o uso de camisinha e a homossexualidade, além de outras minúcias vistas em algumas igrejas mais conservadoras ( como o uso de certos modelos de roupas, o tipo de música que o individuo ouve, o tipo de programas de tv/filmes que o individuo vê, dentre outras que não vou, nem quero, discutir aqui ).
Existem muitas questões polêmicas que são discutidas nas religiões sobre o pecado em relação a conduta do ser como: o sexo antes do casamento, o aborto, o uso de camisinha e a homossexualidade, além de outras minúcias vistas em algumas igrejas mais conservadoras ( como o uso de certos modelos de roupas, o tipo de música que o individuo ouve, o tipo de programas de tv/filmes que o individuo vê, dentre outras que não vou, nem quero, discutir aqui ).
Eu não vejo o uso de preservativos e a homossexualidade como pecado, como interpreta a minha igreja ( nem por isso nego minha religião, nem por isso nego o meu Deus). Assim como vejo o aborto como pecado, mas nem por isso concordo com o fato de ser ilegal. De qualquer forma, se você acha que é pecado, te respeito. Mas quem nunca pecou, que atire a primeira pedra ! Nós somos seres humanos e somos naturalmente pecadores. TODOS somos pecadores e o meu pecado não é maior nem pior que o de ninguém. Não julguem uns aos outros pelos seus pecados, amai-vos. Ora, como eu posso dizer que é errado, incoerente, que é pecado algo que eu não estou sentindo? como eu posso julgar que a conduta alheia é errada se eu não posso compreender que apesar de não ser uma conduta coerente com a minha ideia do que é certo, existe amor? Como eu posso chegar em alguém e dizer que ela não merece o paraíso, que ela está entregue ao diabo se eu NÃO SEI o que passa em seu interior?.
A igreja coloca muitas coisas como pecado, mas para mim a tese mais válida é a de Deus no meu coração. O amor está acima de tudo. Se sua conduta é voltada para a bondade, para o amor ao próximo, quem pode te julgar?. Deus é amor! Se Deus é amor e minha conduta é feita com amor, por que ela seria pecado?. Devemos parar de julgar o que achamos ser o "pecado" dos outros, olhar pro nosso interior e nos perguntar se estamos realmente praticando nossas condutas com amor. Afinal, a hipocrisia é o grande pecado da sociedade.
E volto com um trecho do livro Nietzsche para estressados, dessa vez Allan Percy nos ajuda a entender uma máxima que nos ajuda a lidar com o sofrimento.
Não há razão para buscar o sofrimento,
mas, se ele surgir em sua vida,
não tenha medo: encare-o de frente
e com a cabeça erguida
EM UM DE SEUS AFORISMOS mais célebres, Buda disse que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Do nascimento à morte, a vida está repleta de dor, mas o sentido que damos a essa dor só
depende de nós. Se a encararmos de forma trágica, ela se transformará
em sofrimento. Uma coisa é o que acontece no exterior e outra é o que se dá no interior de cada indivíduo. Aquele que tem medo de enfrentar a dor a receberá sempre como uma maldição. Ele nunca saberá o que fazer com a escuridão que toma conta de sua vida, que antes parecia tão feliz.
O filósofo lida com a dor e tenta extrair dela um benefício em forma de conhecimento. Mesmo os momentos mais duros da vida, como quando sofremos uma terrível perda, são portas abertas em direção a algo que precisávamos conhecer. Se estivermos conscientes de que todo fim é ao mesmo tempo um começo, a dor e o possível sofrimento serão para nós uma escola que nos permitirá entender mais profundamente o que significa ser humano.
O que se aprende na maturidade não são coisas simples, como
adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar
a ter condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por
conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tensões e
que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas
mais tóxicas. Aprende-se que o mundo adora o talento, mas recompensa
o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não
estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas.
Aprende-se, finalmente, que, por maior que seja nosso empenho
em agradar aos demais, sempre haverá pessoas que não nos
amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se
mostra muito tranquilizadora.
(John W. Gardner em Personal Renewal)
Outro trecho do livro " Nietzsche para estressados" sobre a amizade, que vale a pena conferir :
Preciso de companheiros,
mas de companheiros vivos,
não de cadáveres que eu tenha que
levar nas costas por toda parte
SOBRE A AMIZADE, NIETZSCHE recomenda: “Seja para seu amigo um leito de repouso, mas um leito duro, como uma cama de campanha.” Sem dúvida, nossos companheiros mais valiosos são aqueles capazes de festejar nossas vitórias, como dizia Oscar Wilde, mas também aqueles capazes de nos fazer enxergar que estamos equivocados.
As pessoas que nos advertem sem levar em conta o que esperamos escutar, apenas pelo nosso bem – nem sempre as duas coisas estão juntas: há quem censure por rancor –, são as que nos permitem melhorar. Esta seria a definição de um bom amigo: alguém diante do qual podemos nos comportar de forma autêntica e que nos ajuda a vencer os obstáculos da vida. E muitos desses obstáculos somos nós mesmos que colocamos no nosso caminho.
Por isso, os grandes líderes da história não se deixaram levar por bajuladores, mas escolheram, para ficar ao seu lado, pessoas capazes de transmitir a própria opinião sobre as coisas. Com companheiros assim, multiplicamos nossa compreensão do mundo e, consequentemente, nosso poder.
~x~
Bem, concordo plenamente com Allan Percy e fico feliz em perceber que tenho amigos assim. E você? Tem amigos ou bajuladores ?
Estou lendo (e adorando) o livro " Nietzsche para estressados " do escritor Allan Percy, um livro autoajuda em que o autor reúne 99 máximas do alemão e as discorre em diversos assuntos. A amizade é um dos temas que eu mais gosto de postar aqui ( vocês já devem ter percebido) e é também o assunto de um dos trechos do livro ( até agora um dos que mais gostei) e como não sou egoísta, compartilho com vocês :
Alegrando-se por nossa alegria,
sofrendo por nosso sofrimento –
assim se faz um amigo
OSCAR WILDE DIZIA que não é difícil encontrar pessoas dispostas a se compadecer de nossas provações, mas são raras aquelas que se alegram sinceramente com nossos triunfos. Um amigo assim, segundo o autor de O retrato de Dorian Gray, deve ter uma natureza muito pura.
Por que é tão difícil compartilhar os êxitos? Provavelmente porque, nesses momentos, a comparação é inevitável. Em vez de festejar a boa notícia, o interlocutor pergunta a si mesmo: “Por que não eu?”
Os verdadeiros amigos assinam um pacto de nobreza em relação a todos os aspectos do destino humano. Sobre isso, Voltaire, que viveu um século antes de Nietzsche, afirmou:
A amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e
virtuosas. Sensíveis porque um monge ou um solitário podem
ser pessoas de bem e mesmo assim não conhecer a amizade. E
virtuosas porque os malvados só têm cúmplices; os festeiros,
companheiros de farra; os ambiciosos, sócios; os políticos reúnem
os partidários ao seu redor; os vagabundos têm contatos; e
os príncipes, cortesãos – mas só as pessoas virtuosas têm amigos.
Estava cansada, já era tarde. Era tarde da noite, mas também era tarde demais para consertar os erros que havia cometido. Não havia mais o que fazer, não havia mais pra onde correr. Seus problemas não eram tão grandes assim, bobagens. Seus erros tampouco eram imperdoáveis. Mas seu egocentrismo ao invés de fazê-la o centro do seu mundo, a fazia o centro do seu próprio precipício. Era como se ela estivesse caindo em câmera lenta em um precipício infinito. Onde seus gritos ecoavam, mas ninguém conseguia ouvir. Não havia ninguém. Estavam todos muito longe, apesar de olharem nos seus olhos todos os dias. Fechou os olhos. Sufocou-se em pensamentos.
Clique aqui e leia meu artigo !
Era sexta feira e como em todos
os dias da semana,durante a tarde tomava meu chá enquanto,da janela, observava
Joana, uma jovem que morava no 302 e por vezes ficava na área de lazer do
prédio, a qual era a vista da janela do meu quarto.Era uma mulher diferente
daquelas que costumavam morar ali, não era velha demais como a do 202 nem nova
demais como a do 304, tinha seus vinte e poucos anos.Não era isso,claro,o que
me incomodava nela,nem o fato de passar horas lendo perto do playground cheio
de crianças que não se importavam em gritar o tempo inteiro (confesso uma certa
inveja a tamanha concentração nos livros em meio a tanta algazarra feita pelos
pequenos,mas não vem ao caso),tampouco o seu andar tímido e rápido que
faziam a assemelhar a um ratinho de
biblioteca.O que me intrigava era seu olhar.Possuía pálpebras pesadas capazes
de guardar aqueles enormes olhos combinados com enormes cílios castanhos,era um
olhar sonolento mas ao mesmo tempo forte e desperto. Ela não era uma moça
bonita,nem parecia ser vaidosa.De
qualquer forma, Joana sempre me deixou incomodado, ora por seu jeito
excêntrico ora por seu jeito quase invisível de se portar. Ela não me atraía,
mas me mantinha curioso em relação aos seus pensamentos todos os dias que eu a avistava
pela janela.
Como
mencionei no inicio, todas as tardezinhas costumava observar Joana lendo e as
crianças brincando enquanto tomava meu
chá diário ( costume meio deturpado que trouxe de vovó,uma legítima
inglesa).Entretanto, nos últimos dias comecei a sentir falta da protagonista da
cena que assistia todos os dias. Joana deixou de ir ao playground para realizar suas leituras diárias. E sua
ausência me incomodou ainda mais que sua presença, fato que eu nunca imaginara.Pensei
em bater a porta do 302 e perguntar como estava, porém nunca havíamos trocado
mais que os olhares da janela.Cheguei às conclusões obvias de que ela havia
mudado sua rotina,talvez estava no período de provas da faculdade,talvez
tivesse um novo emprego no período vespertino...me dei conta que não a
conhecia. Não sabia se estudava,se trabalhava,se tinha irmãos,por onde andava
sua família que nunca havia visto no prédio.Joana era um mistério pra mim e o
desaparecimento de Joana era, senão, um mistério ainda maior.
Uma
semana após o sumiço de Joana, quando voltava do trabalho ( já tarde, por volta
das 23h) esbarrei com ela no corredor do prédio. A lâmpada não funcionava muito
bem e mal consegui ver a garota. Consegui identificar ao ver aqueles olhos
enormes e sonolentos na minha direção seguido de um suave pedido de desculpas
por ter tropeçado em mim. Quando a vi mil coisas se passaram pela minha cabeça:
deveria perguntar por que sumiu? Por que deixara minha cena do entardecer tão
tediosas? Por que não sabia nada sobre ela? Deveria me apresentar. E
enquanto me fazia tantas perguntas sobre
o que questionar a ela,ela sumiu. Parecia estar assustada ( apesar de sempre
parecer assustada,estava dessa vez diferente) e por que tão
apressada?.Lembrei-me de como Joana me incomodava.
Dei de ombros, estava muito cansado para pensar na
menina esquisita do prédio.Comecei a subir as escadas.Ouvi um ruído.Parei.Voltei.
“Senhor”- era Joana,quem dizia. “Pois não?” tentei ser o mais atencioso
possível,não era sempre que conseguia a atenção daquela garota. “ sentiu a
minha falta?” quando ela disse isso não pude controlar minha cara de surpreso ao
saber que ela percebia a minha existência,porém não podia entregar o meu
passatempo tão rápido àquela mulher misteriosa. “ Como?” respondi. “Não sentiu falta de mim?lendo enquanto você
me observava.”.Tentei negar,quem ela pensava que era ? pensava que tinha toda a
minha atenção para aquelas mãos finas e pálidas que passavam delicadamente cada
folha do livro velho e amarelado, para aqueles olhos que nunca me olhavam. Ora, era eu quem
deveria observa-la e não ao contrario. Observava-a como um cientista observa um
rato de uma de suas experiências. Joana era a minha experiência e agora sem
mais,nem menos me fazia perguntas, falava comigo. “ Joana, é seu nome não é?” “não” “ mas é claro que é,não minta pra mim. Eu te
conheço,se chama Joana” “ sou Isabelle”. Puxei-a para a luz. Olhei-a de baixo
para cima, aquelas mãos,aquele rosto,aquele olhar. Era Joana! Por que brincava
comigo?. “ Por que Joana?” ela perguntou .“Donzela de Orleans,talvez , uma bruxa
, uma santa” respondi pensativo. “O que você quer de mim?” perguntei. “Quero
que se lembre de tudo que tem feito nas ultimas semanas, quero que se lembre
quem você é. Quero que se lembre porque estamos aqui,porque sou Isabelle e não
Joana.Quero que diga o que fez com Joana.” “ Mas você é Joana,eu nem conheço ela
aliás, o que você quer?” “ me conte o que você sabe sobre Joana” “ bem, não sei
nada. Uma jovem ríspida, intrigante que todos os dias pela tarde lia na área de
lazer enquanto eu a observava tomando meu chá com três gotas de adoçante – três
gotas e nada mais.Ela era o rato do meu laboratório, as mãos finas que passavam
as paginas dos livros, o rosto pálido iluminado pelo pôr do sol, os olhos
pesados. Olhos iguais aos seus. Por que seus olhos e suas mãos são tão iguais
as de Joana? Embora a face seja ao mesmo tempo igual e diferente? O que você fez com
Joana? Há dias não a vejo. Ela me faz falta. Mas veja,por que você me perguntou se fazia falta a mim se não é
Joana? Por que dizia que eu a observava?”
“Se acalme, tente se lembrar da ultima vez que viu Joana.” “ Estava na janela,observando-a.
Ela passava as páginas com rapidez,
certamente era um livro de suspense daqueles que mal esperamos para chegar ao
final. Joana tem cara de suspense. Tem cara de donzela de suspense. Tem cara de
assassina. Tem cara de bruxa.Tem cara de santa. Queria falar com ela, ver se
era um livro de suspense. Eu gosto de livros de suspense. Poderíamos encenar
um. Eu seria o investigador da morte da donzela, ou queimaria a assassina da
donzela, como se fazia com as bruxas na idade das trevas. Mas Joana, ah joana !
tão ríspida.Tão arisca quanto um rato de biblioteca. Eu era como uma
sexta-feira e ela como uma segunda feira. Estava tão perto dela e ela tão longe
de mim.Queria ler o livro de suspense,parecia tão excitante.Tinha medo de Joana.Mas
mesmo assim começamos a jogar” “ a jogar?” “ o suspense, joana já havia
desaparecido. Eu estava atordoado com seu desaparecimento. Esperei por uns
dias. Fui ao seu apartamento.Arrombei a porta,encontrei-a morta. Não contei a
polícia. Estragaria o jogo. Escondi-a
debaixo da cama. Limpei a casa. Consertei a porta. Dei desculpas aos
vizinhos e... Foi você,não foi? Foi você quem matou joana! Por que? Preciso queima-la,preciso
queima-la”. “ Mas por que escolheu joana para jogar?” “ ela me escolheu.” Isabelle
me deixava tão intrigado quanto Joana,e como ousara descobrir meu jogo? Certamente
era ela que matou a pobre Joana. Pobre e doce Joana. “ Você sabe que você matou
Joana,não sabe?” “ Que absurdo!” joguei um pouco de uísque ao nosso redor enquanto pegava o fosforo no
bolso. “ o assassino deve morrer queimado certo?” disse ela. “ sim,você deve
morrer queimada.” “ mas você a
matou,você deve morrer.” “ foi você” . Isabelle
levantou a blusa,os pontos da facada ainda permaneciam. “ Você tentou me matar”.
“Quem morreu foi joana”. “ Nunca houve Joana,sempre fui eu, Isabelle” “mas o
jogo não teria sentido se não fosse Joana” “eu sobrevivi, seu jogo não teve
sentido. Não me chamo Joana, sua personagem nunca existiu. Não era um livro de
suspense,era um livro de receitas.” .
Resolvi atear fogo naquela bruxa mentirosa que me fazia ter alucinações sobre me caçar,e imagine Joana ser Isabelle. Joana jamais falaria comigo. Joana nasceu para estar morta, em uma história trágica.Virgem,pálida e morta como em um poema de Álvares de Azevedo." Acordei da ilusão, a sós morrendo.Sinto na mocidade as agonias.Por tua causa desespero e morro...Leviana sem dó, por que mentias? por que mentias? por que mentias?... ” recitava mentalmente. Não via mais Isabelle, via o fogo desaparecendo em meio ao alerta de incêndio do prédio. Não via mais Joana. Fechei os olhos enquanto lembrava da minha cena ao entardecer.
Resolvi atear fogo naquela bruxa mentirosa que me fazia ter alucinações sobre me caçar,e imagine Joana ser Isabelle. Joana jamais falaria comigo. Joana nasceu para estar morta, em uma história trágica.Virgem,pálida e morta como em um poema de Álvares de Azevedo." Acordei da ilusão, a sós morrendo.Sinto na mocidade as agonias.Por tua causa desespero e morro...Leviana sem dó, por que mentias? por que mentias? por que mentias?... ” recitava mentalmente. Não via mais Isabelle, via o fogo desaparecendo em meio ao alerta de incêndio do prédio. Não via mais Joana. Fechei os olhos enquanto lembrava da minha cena ao entardecer.
Sabe aquele momento em que você se depara com um texto, acha super interessante e quer compartilhar com todos os seus amigos ( por mais que você tem a certeza que a maioria não verá com tanta empolgação) ? Então, mal começaram as aulas de antropologia ( que a propósito tenho o pressentimento que será a ~matéria que eu gosto~ do semestre) e eu já encontrei um texto assim, e claro, quero compartilhar com vocês! É um texto do antropólogo Ralph Linton,sobre o começo do dia do homem americano, aproveitem :
" O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções europeias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar.A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no Norte da Europa.
Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México.Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano."
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